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Embora eu entenda perfeitamente a complexidade e as implicações políticas, é assustador observar que, passadas mais de três semanas de crise, ainda não tenha acontecido uma avaliação local para dar apoio ao Governo Libanês, nenhum passo para uma ação de limpeza tenha sido possível, e, de fato, poucas medidas práticas para conter o derramamento tenham sido postas em ação, disse Achim Steiner, Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
A quantidade de petróleo derramado no Líbano já é comparável ao desastre de 1999 na costa da França, quando o navio Erika derramou cerca de 13.000 toneladas de petróleo no Oceano Atlântico. No pior dos casos, e se todo petróleo contido na usina nuclear em Jiyyeh escapasse para o Mar Mediterrâneo, o caso de derramamento de petróleo no Líbano poderia rivalizar o desastre Exxon Valdez de 1989 (ver carta do PNUMA em anexo).
Nós estamos lidando com um incidente muito sério, e quaisquer passos práticos ainda são constrangidos pelas constantes hostilidades. Estamos felizes por termos agora dois peritos atuando na área dando conselhos de Damascus, apesar de saber que muitos mais especialistas são necessários, disse o Sr. Steiner.
As operações para limpeza requerem intensa cooperação entre atores internacionais e os governos da região do Mediterrâneo. Nossa Unidade de Meio Ambiente PNUMA-OCHA (Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários) está comprometida em trabalhar com a Organização Marítima Internacional (IMO), bem como com a Comissão Européia (EC), para criar as condições sob as quais ações corretivas possam ser tomadas, ele completa.
Anunciando a expedição de um biólogo marinho à Síria, o Coordenador do Plano de Ação do Mediterrâneo (UNEP/MAP) de Atenas, Paul Mifsud, disse: O Centro Regional de Resposta Emergencial à Poluição Marítima, um dos centros regionais de atividade do MAP, enviou um perito para prover documentação visual e validar o que foi mostrado nas imagens de satélites e modelos.
Teme-se que espécies como a tartaruga marinha e o atum Bluefin tenham sido afetadas pelo derramamento de petróleo. De acordo com a informação recebida pelo UNEP/MAP, existe uma área de desova para o atum Bluefin no Mediterrâneo Oriental. Seguindo sua fase reprodutiva entre maio e julho, neste período do ano os ovos do atum e as larvas flutuam na superfície da água e podem ter sofrido as conseqüências da poluição pelo petróleo.
Esse derramamento de petróleo definitivamente carrega uma ameaça à biodiversidade” diz Ezio Amato, o biólogo do ICRAM (Istituto Central para a Pesquisa Científica e Tecnológica Aplicada ao Mar), um instituto de pesquisa que está cooperando com o UNEP/MAP, que se espera que chegue à Síria ainda hoje. “Devido ao fato de que os ovos de atum e as larvas flutuam na superfície da água, eles podem ser diretamente afetados por esse derramamento de petróleo, com conseqüências sérias em potencial para a população de atum no Mediterrâneo, ele coloca.
Em Damascus o Sr. Amato se unirá a outro especialista da Unidade de Meio Ambiente UNEP-OCHA, que deixa Genebra e vai à região para coordenar os esforços emergentes no local.
Numa carta endereçada ao UNEP-MAP em Atenas, no dia 04 de agosto, o Ministro Sírio de Administração Local e Meio Ambiente, Sr. Helal Al-Atrash, confirmou que o derramamento de petróleo alcançou a costa da Síria, da área de Al-Aridah até Al-Nauras, e solicitou ao UNEP-MAP “para enviar empresas profissionais para controlar o petróleo derramado nas margens e águas territoriais”.
Acompanhando um pedido de apoio às Partes Contratantes da Convenção de Barcelona, o REMPEC já recebeu respostas de dez entidades oferecendo assistência: Argélia, Chipre, a Comissão Européia, França, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Síria.
Notas aos Editores:
Imagens de satélites estão disponíveis para download no seguinte site:
http://www.zki.dlr.de/applications/2006/lebanon/lebanon_2006_en.html
O MAP/REMPEC está obtendo imagens de satélites de diversas fontes, de acordo com o movimento do derramamento de petróleo no mar. Entretanto, os resultados iniciais e as imagens hoje disponíveis devem ser apenas considerados como uma indicação desse estágio.
O Centro Regional de Resposta Emergencial à Poluição Marítima do Mar Mediterrâneo (REMPEC), é um dos Centros Regionais de Atividades do MAP, e fica em Malta. É administrado conjuntamente pela Organização Marítima Internacional das Nações Unidas e pelo UNEP-MAP.
Para maiores informações, favor entrar em contato com Luisa Colasimone, UNEP/MAP, no Tel: +30 6 949 122 746.
O REMPEC auxilia os estados costeiros do Mediterrâneo a construírem seus meios nacionais de prevenção e potencialidades de resposta, para estarem preparados para maiores incidentes de poluição marítima, de acordo com o Artigo 10 do Protocolo de Emergência de 1976, e o Artigo 12 do Protocolo de Emergência e Prevenção da Convenção de Barcelona de 2002.
A Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho e da Região Costeira do Mediterrâneo – também conhecida como a Convenção de Barcelona – é a estrutura legal para a implementação do Plano de Ação do Mediterrâneo com um Secretariado em Atenas.
A Convenção de Barcelona foi adotada pelos países do Mediterrâneo e pela Comunidade Européia em 1976, visando coordenar suas atividades e tomar todas as medidas apropriadas para prevenir, combater e eliminar a poluição no Mar Mediterrâneo e realçar o Meio Ambiente Marinho e Costeiro, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável.
Para mais informações, por favor entre em contato com:
Luisa Colasimone, Oficial de Informação do UNEP-MAP Tel. +30 210 7273 148, E-mail: luisa.colasimone@unepmap.gr
Nick Nuttall, Porta-voz do PNUMA, Tel: +254 20 762 3084; Cel: +254 (0)733 632 755, E-mail: nick.nuttall@unep.org
Ou Elisabeth Waechter, Oficial Associada de Mídia do PNUMA Tel: +254 20 7623088, E-mail: elisabeth.waechter@unep.org
UNEP News Release 2006/40
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